Publicado por Beatriz em Dicas
10 livros para ler aos 20 e poucos anos
Ter 20 e poucos anos é viver um furacão interno enquanto finge normalidade no Instagram. É fazer planos demais e ao mesmo tempo se sentir paralisado. É questionar tudo: o trabalho, os relacionamentos, a si mesmo. É tentar se encontrar, e muitas vezes se perder no caminho.
É por isso que, nessa fase, certos livros não são só livros. São mapas, espelhos, abraços silenciosos. Eles não têm todas as respostas (ninguém tem), mas nos ajudam a fazer perguntas melhores.
Com isso, deixo aqui 10 leituras que tocaram a mim e a outras pessoas nesse mesmo momento da vida. Quem sabe uma delas também encontre você?
1. O Alquimista – Paulo Coelho
📖 Título original: The Alchemist (1988)
Todo mundo fala do Alquimista como se fosse só um best-seller motivacional, mas ele é mais que isso. É um lembrete gentil de que o caminho importa tanto quanto o destino, e que às vezes a gente precisa se perder um pouco para ouvir o que o coração está tentando dizer há tempos.
Santiago, o protagonista, larga tudo para seguir um sonho. E talvez seja isso que a gente precise ouvir aos 20 e poucos: que está tudo bem recomeçar. Que o universo talvez não conspire contra, ele só espera que você dê o primeiro passo.
2. A coragem de ser imperfeito – Brené Brown
📖 Título original: The Gifts of Imperfection (2010)
Esse livro chegou pra mim como um soco e um abraço ao mesmo tempo. Eu o li num momento em que achava que precisava ser forte o tempo todo, dar conta de tudo, ter todas as respostas. E Brené apareceu dizendo: "Ei, vulnerabilidade também é força".
Ela fala sobre aceitar nossas falhas, sair do piloto automático da comparação e criar conexões reais com os outros e com a gente mesmo. É um livro que te desmonta com carinho, que te ensina que não ser perfeito é o começo de uma vida mais leve.
3. A vida mentirosa dos adultos – Elena Ferrante
📖 Título original: La Vita Bugiarda degli Adulti (2019)
Ferrante escreve como se colocasse a alma dela na página, e a nossa também. Essa história não é fácil. Não tem personagens idealizados, nem uma heroína pronta. Tem uma garota tentando entender os adultos ao seu redor, e percebendo que crescer é um processo cheio de contradições.
É um livro que me fez lembrar de todas as vezes em que eu vi alguém que admirava cometer um erro, e de quando eu mesma decepcionei alguém. Crescer dói. Mas Ferrante nos mostra que encarar a dor com verdade pode ser transformador.
4. O fim da infância – Arthur C. Clarke
📖 Título original: Childhood’s End (1953)
Esse livro me pegou de surpresa. Esperava ficção pura, mas encontrei uma metáfora gigantesca sobre maturidade, evolução e o preço do progresso. Clarke nos convida a refletir sobre o que abrimos mão quando deixamos de ser crianças, como sociedade e como indivíduos.
A leitura me fez pensar em quantas partes minhas eu fui deixando para trás para "ser adulta", e se valeu a pena. É uma leitura profunda, diferente, e que expande a mente em muitos sentidos.
5. Torto Arado – Itamar Vieira Junior
📖 Título original: Torto Arado (2019)
Esse livro doeu. Mas foi uma dor boa, como quando a gente olha de frente para uma verdade que sempre esteve ali, mas que a gente evitava. Torto Arado fala de ancestralidade, de raízes, de luta, e faz isso com uma escrita tão bonita que, mesmo nas partes mais duras, você não consegue parar de ler.
A história me lembrou das histórias da minha avó, das marcas invisíveis que carregamos. Um livro necessário para quem quer crescer sem esquecer de onde partiu.
6. O Diário de Anne Frank – Anne Frank
📖 Título original: The Diary of a Young Girl (1947)
Anne era só uma menina, mas suas palavras têm uma força absurda. Ler seu diário aos vinte e poucos anos é se deparar com a esperança mais pura, aquela que sobrevive mesmo no meio do horror.
O que mais me tocou foi como ela tentava continuar sendo ela mesma, mesmo trancada, mesmo com medo. Anne fala sobre amizade, amor, medo e futuro com uma lucidez que muitos adultos não têm. Ela me fez lembrar do valor da vida, da liberdade e da escrita.
7. O Ano do Pensamento Mágico – Joan Didion
📖 Título original: The Year of Magical Thinking (2005)
Esse livro me destruiu em um silêncio absoluto. Joan fala sobre luto, mas não de um jeito piegas. Ela descreve o vazio, o tempo que se distorce, os rituais mentais que inventamos para não desabar. É doloroso, sim. Mas é também profundamente humano.
Ler esse livro me fez entender que o luto não é só sobre perder alguém, é sobre perder versões de nós mesmos, planos, fases da vida. E que viver também é sobre aprender a seguir mesmo sem entender tudo.
8. Cartas a um jovem poeta – Rainer Maria Rilke
📖 Título original: Briefe an einen jungen Dichter (1929)
Esse é aquele livro que você lê devagar, com marca-texto e silêncio. São cartas reais, escritas por Rilke para um jovem cheio de dúvidas. E cada uma delas parece escrita para quem está justamente nessa fase da vida em que tudo parece indefinido.
A maior lição que ficou pra mim foi: confie no tempo. Nas suas perguntas, nos seus vazios, nas suas pausas. Esse livro me ensinou a não apressar as respostas, e a ver beleza na incerteza.
9. O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry
📖 Título original: Le Petit Prince (1943)
Esse livro mudou minha vida.
Li pela primeira vez achando que era só uma história fofa para crianças, mas cada página me surpreendeu com uma verdade delicada e profunda sobre a vida adulta, o amor, o medo e a perda.
“A gente só vê bem com o coração” parece uma frase batida, até o momento em que você a vive na pele. É um lembrete doce de que a sensibilidade não é fraqueza, é potência.
10. A redoma de vidro – Sylvia Plath
📖 Título original: The Bell Jar (1963)
Esse é um daqueles livros que fica com você por muito tempo. Sylvia Plath escreve com uma honestidade cortante sobre saúde mental, pressão social e sentir-se deslocada, mesmo quando parece que você “tem tudo”.
Ler esse livro me fez sentir menos sozinha nas minhas crises. Me fez perceber que nomear a dor é um ato de coragem. E que a literatura também pode ser um espaço seguro para isso.
Aos 20 e poucos, tudo parece urgente. E, ao mesmo tempo, tudo é incerto. É uma fase bonita, mas confusa. Esses livros não vão resolver sua vida, mas talvez ajudem a entendê-la um pouco melhor. Ou a senti-la com mais verdade.
Se algum deles te tocou, me conta nos comentários. E se você tem um livro que mudou sua vida nessa fase, compartilha também, talvez ele mude a de alguém que está lendo aqui agora!











